Encontros mensais para estudar e compartilhar percepções sobre o tema Comunicação na Governança resultaram em importante reflexão que combina experiências e práticas de forma colaborativa entre os associados participantes do grupo.
De acordo com Vania Bueno, tutora nesse aprendizado, o grupo foi instigado a debater e refletir sobre comunicação e sua influência na gestão, cultura e tomada de decisão. Cada encontro buscou conectar conceitos aos acontecimentos do momento - o Congresso IBGC, a crise da Magalu, Open AI e situações do dia a dia. Como resultado dessas interações, o grupo produziu um artigo colaborativo. E esse trabalho coletivo resultou no texto abaixo.
Governança é comunicação
A comunicação desempenha um papel central na governança corporativa pois é através dela que acionistas, líderes e equipes podem expressar propósito e estratégia, praticar transparência, gerir e promover a confiança nas organizações. Por outro lado, a comunicação ineficiente tem sido um revés recorrente, no Brasil e no mundo, resultando em decisões mal-informadas, desengajamento de stakeholders e até escândalos empresariais.
Acreditamos que o fortalecimento da comunicação na governança corporativa, a partir de abordagens práticas para melhorar a troca de informações relevantes entre os diferentes atores envolvidos, é essencial para a evolução da governança no presente e no futuro.
Um ponto a ser destacado é que seguir protocolos e formalidades não é o suficiente para que a governança se estabeleça. Tão ou mais importante do que a implementação de uma estrutura de formal, é o desenvolvimento e sustentação de uma cultura alinhada, engajada e ativa na direção dos objetivos. É essencial criar e manter processos de comunicação claros e eficazes que promovam vínculos de confiança e relacionamentos positivos.
Vale lembrar que a gestão atenta e o estímulo à comunicação de qualidade favorecem que todos compreendam as mensagens, entendam o que se espera de cada um e atuem de forma coesa, com maior engajamento e segurança psicológica.
É necessário ainda ressaltar o efeito que a comunicação tem na imagem corporativa e na gestão de crises diversas – desde escândalos de corrupção, passando por acidentes operacionais, questões ambientais, até invasões cibernéticas. Eventuais falhas podem prejudicar definitivamente a reputação da empresa e seu valor de mercado. No entanto, ações de comunicação podem prevenir e preparar a empresa para momentos desafiadores, seja na construção de respostas às crises, definindo processos, comportamentos e simulações operacionais. Em suma, a comunicação pode e deve ser usada estrategicamente na prevenção, e não apenas na reparação de problemas.
Mas, como conseguir isso senão pelo engajamento de todos os envolvidos? Em um mundo cada vez mais digital, o engajamento obtido através da comunicação passa necessariamente por processos mais participativos e colaborativos. A comunicação deve ser eficaz e evitar superficialidade ou engano, seja o conteúdo positivo ou negativo.
Vale lembrar que a gestão atenta e o estímulo à comunicação aberta favorecem a compreensão das mensagens, ajustando expectativas e reduzindo o estresse. Isso, por si só, já é um desafio às estruturas de governança que costumam atuar de forma hierarquizada e com participação restrita. Ouvir e ser ouvido é a base dos relacionamentos saudáveis. Resistências pessoais ou culturais só podem ser superadas com diálogo.
Cabe aos conselheiros e líderes valorizar o papel da comunicação. Isso implica em conhecer, reconhecer e respeitar seus pares, públicos e parceiros em suas peculiaridades e interesses. Além disso, é necessário ter e desenvolver uma série de competências que aprimoram a comunicação na governança: fazer a pergunta certa, no tom adequado e momento apropriado. Ser humilde e exercer a escuta ativa. Ter empatia e buscar confirmação do entendimento dos ouvintes. Focar nas ideias e não nas pessoas. Respeitar e valorizar diferenças culturais. Ter cuidado ao interpretar materiais e expor ideias com clareza e sagacidade. Estar aberto para o novo e se permitir aprender e ensinar.
Todo comportamento comunica e o exemplo é uma forma poderosa de comunicação. Assim, partindo de exemplos positivos de agentes da governança comprometidos com a construção de relacionamentos baseados na comunicação fluida, acreditamos na promoção de uma cultura que gera confiança e prospera num ambiente corporativo transparente, saudável e produtivo.
Este artigo foi produzido a partir da 6ª edição do IBGC Dialoga que ocorreu no período de agosto a dezembro de 2023. A iniciativa se baseia na formação de grupos, a fim de criar espaços de debate entre pares, trazendo temas da governança corporativa em setores específicos. Nessa última edição, os grupos foram organizados nas temáticas: Sociedade 5.0 e Futuro do Trabalho; Startups; Comunicação na Governança; Conselhos em Empresas Familiares; Gestão de Riscos; Inovação e Tecnologia.
Sobre os autores: Vania Bueno, tutora do grupo; Patrícia Dias e Adriana Prado, editoras; Agnyz Bueno; Andréa Moura; Cristiana Heluy; Denise Peres Costa; Eduardo V. Mattos; Eluard Moraes; Kesia Pires; Maelcio Soares; Norberto Valdrigue; Pedro Provazzi; Poliano Thiago Wanderley e demais participantes do grupo.