A medição dos níveis de aderência às melhores práticas de governança corporativa é essencial para que as empresas possam avaliar seus níveis de conformidade frente aos cinco princípios fundamentais que devem orientar a governança nas organizações: transparência, integridade, responsabilização, equidade e sustentabilidade. Neste sentido, a avaliação da maturidade organizacional permite refletir sobre a evolução dos processos, desenvolver estratégias de aprimoramento e acompanhar seu impacto ao longo do tempo.
Como exemplo próximo, podemos citar a Seja:Digital, criada em 2015, é uma entidade sem fins lucrativos que atua na implementação de políticas públicas voltadas para os setores de telecomunicações e radiodifusão no Brasil.
Percebemos a necessidade de formalizar e aprimorar constantemente seus processos. Entre as ações concretas tomadas estão a criação da Comissão de Governança, responsável por planejar, executar e monitorar todas as iniciativas relacionadas à governança corporativa, e a disponibilização pública de uma página dedicada exclusivamente ao tema. Essas ações consolidam o compromisso com a transparência e o alinhamento às boas práticas de mercado.
Desafios das métricas de governança corporativa
Avaliar a maturidade organizacional em governança corporativa é uma tarefa desafiadora, embora haja uma ampla diversidade de metodologias existentes, nenhuma é de uso geral para qualquer tipo de organização.
O IBGC possui ferramentas gratuitas de autoavaliação para medir o nível de aderência às melhores práticas de governança corporativa, mas elas são específicas para certos tipos de empresa. No exemplo que trouxemos, a Seja:Digital escolheu utilizar o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (6° edição), amplamente reconhecido, com frequente atualização e clareza metodológica.
Formulário de avaliação
A metodologia adotada na organização de exemplo é inspirada na abordagem "Pratique ou Explique", consagrada desde 2019 para companhias abertas brasileiras. Essa abordagem determina que as organizações indiquem claramente se adotam integralmente as práticas recomendadas ou apresentem justificativas para aquelas não adotadas. O formulário utilizado pela organização inclui etapas bem definidas:
1. Determinação clara da aplicabilidade das práticas ao contexto da organização.
2. Classificação detalhada da aderência das práticas:
• Atendida: prática plenamente implementada.
• Atendida de outra forma: objetivos atingidos através de mecanismos alternativos.
• Não atendida: prática não implementada, sem mecanismos alternativos adotados.
3. Definição estratégica de ações para aprimoramento: práticas classificadas como não atendidas ou atendidas de outra forma são revisadas criticamente quanto à sua relevância estratégica e à possibilidade de inclusão em um plano específico de melhorias organizacionais.
Resultados e conclusão
Indicadores-chave utilizados incluem o percentual de práticas plenamente aplicadas e o percentual de práticas consideradas não aplicáveis ao contexto específico da Seja:Digital, proporcionando uma visão rica e contextualizada da realidade organizacional frente às recomendações do IBGC.
Por fim, notamos que, a partir do exemplo apresentado, há uma oportunidade poderosa para identificar oportunidades de melhorias, fundamentar estratégias claras e criar um ciclo virtuoso de desenvolvimento contínuo da governança.
Este processo inicia-se com uma autoavaliação detalhada, seguida de validação externa por consultores especializados, garantindo alta precisão e contribuindo significativamente para a ampliação do entendimento interno sobre a relevância estratégica da governança corporativa.
Em conclusão, dado que a governança corporativa é um tema dinâmico e em constante evolução, torna-se essencial manter a revisão e aperfeiçoamento contínuos das metodologias adotadas, garantindo a eficácia organizacional e a adaptação às demandas futuras.
*Paulo Vaggione é Diretor de Integração/Analytics/TI da Seja:Digital, associado ao IBGC, experiência em processos de transformação digital, governança de projetos (certificado PMP) e gestão de produtos de software. Formado em Análise de Sistemas na PUC Campinas, com especialização em Estratégia e Administração de Negócios (Unicamp). Exerce função de DPO e na liderança de comissão de governança na Seja Digital.
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*Ricardo Castro é associado o IBGC de conselheiro certificado. Bord Member, Senior Advisor da A&M. Formado em engenharia pela UFRJ, mestrado em Tecnologia da Informação pela PUC-Rio e com MBAs executivos na Stanford, Insead, Kellog, Columbiaq, FDC, StarSe/NovaLisboa. Professor da FIA, co-autor do livro “Tech & Touch” e com vários artigos publicados na Revista
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