Sandra Guerra, cofundadora do IBGC, é premiada pela ICGN

Prêmio reconhece líderes que demonstraram realizações excepcionais no campo da governança corporativa

  • 14/08/2024
  • Angelina Martins, Gabriele Alves e Victor Santos
  • Bate-papo

Cofundadora do IBGC e primeira mulher a ocupar o cargo de presidente de seu conselho de administração, Sandra Guerra, recebeu em Londres, no dia 16 de julho de 2024, o prêmio Lifetime Achievement Award, da International Corporate Governance Network, a ICGN.

A premiação figura entre as mais importantes no cenário internacional da governança e reconhece pessoas que apresentaram um trabalho de excelência e contribuíram significativamente com o ecossistema da governança corporativa por um longo tempo.

"Receber um prêmio que reconhece o trabalho de toda sua vida é muito gratificante. É até difícil encontrar palavras para descrever este momento, comenta Sandra que conversou com o Blog IBGC e relatou como foi este marco. Confira a seguir o bate-papo:

BLOG IBGC: O que representa receber o prêmio “Lifetime Achievement Award”, da ICGN, rede internacional de investidores que promove altos padrões de governança corporativa globalmente?
Quando você recebe um prêmio como esse parece que tudo realmente valeu a pena. Me sinto motivada a continuar. Com esse reconhecimento a trajetória ganha ainda mais força. Quando paro para pensar que também sou a primeira mulher brasileira a receber um prêmio assim da ICGN, a felicidade não tem tamanho. Foram muitas mentes e corações a convencer sobre o valor da governança. Chegar até aqui me motiva ainda mais a continuar nesta causa que eu tenho advogado há tanto tempo.

Você é uma das grandes referências em governança corporativa no país, pode nos contar um pouco da sua trajetória? Por que esse tema te atraiu tanto?
Eu entrei neste mundo da governança corporativa por meio do sueco Bengt Hallqvist, fundador do IBGC. Ele era meu cliente na época e havia me contratado para trabalhar na comunicação de sua empresa, pois precisava se comunicar melhor com seus stakeholders. Neste tempo, ele começou a ter reuniões com o professor João Bosco Lodi para falar sobre governança, até que amadureceram algumas ideias e me chamaram para participar da primeira reunião, em fevereiro de 1995. Naquele ano, criamos primeiro o Instituto Brasileiro de Conselheiros de Administração, o IBCA. Eu ia às reuniões cheia de pontos de interrogação, porque não trabalhava com governança corporativa e, no Brasil, não havia nenhuma literatura especializada em português. Não havia nada para ler sobre o tema, tínhamos que ler muitos artigos de fora. Mas o Bengt me dizia que eu tinha competências que me fariam gostar de estar ali, pois eu aprendia muito rápido. E foi justamente o que aconteceu. Conforme eu fui entendendo do que se tratava, eu fui me apaixonando, porque aquilo conversava muito com os meus valores e meus princípios. E eu admirava isso. Foi a partir daí que me envolvi profundamente com essa causa.

Como você vê o crescimento da governança corporativa desde que o IBGC foi criado, há quase 30 anos?
O progresso da governança ao longo deste tempo no Brasil é algo impressionante. Nós saímos de uma situação em que o assunto era totalmente desconhecido e a expressão governança corporativa só era usada em inglês, para o conhecimento do termo em português. Podemos dizer que, de certa forma, popularizamos o termo governança corporativa no Brasil . Ele saiu do ambiente de empresas listadas, típico do mercado de capitais, para alcançar todos os tipos de organizações. Hoje, é algo muito mais conhecido. Eu me lembro de quantas vezes eu tive que explicar o quê era governança corporativa, porque era um assunto muito distante do mundo empresarial. Houve um amadurecimento muito grande. Quando eu olho para trás fico feliz.

Atualmente, quais os principais desafios do ecossistema de governança brasileira?
Acho que ainda temos muitos, mas eu agruparia duas categorias de desafios. Uma é a de retrocesso institucional, principalmente pelas implicações que a gente tem visto em relação à governança de empresas estatais. A Lei das Estatais de 2016 foi muito importante. Não podemos deixar que indicações políticas se desalinhem com as boas práticas de governança. Outra categoria de desafios é a do entendimento. Percebo que há hoje um entendimento superficial do que efetivamente representa governança. Parece ser um tema fácil de abordar, em que você lê em um livro e pronto. Mas é complexo. Você tem que ter um conhecimento com muita profundidade para aplicar essas boas práticas de governança no contexto particular de uma organização. Parece fácil colocar em prática o que está no Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, mas deve-se levar em conta como essas práticas geram valor para a empresa. A boa governança deve de fato ser geradora de valor das organizações e, para isso, é necessário reconhecer a complexidade e as implicações de cada movimento que se faz em relação a diversos agentes, entre eles o governo.

Durante o ICGN Achievement Awards 2024, em que Sandra foi premiada, outras organizações e representantes de governança corporativa foram agraciados. Veja lista completa aqui 

Para saber mais sobre a história do IBGC, acesse: https://www.ibgc.org.br/quemsomos

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