Essa é a primeira publicação do ano de 2025, e tem como objetivo apoiar na estruturação dos processos relacionados aos colegiados. “A gente entendia que adaptar os conselhos às necessidades e ao contexto em que aquelas empresas estão vivendo era uma necessidade bastante grande”, destacou Luiz Martha, diretor de Conhecimento e Impacto, durante a sua fala de abertura no evento. Antes de dar lugar para os palestrantes da noite, Luiz fez um agradecimento especial aos envolvidos no projeto e finalizou, “tivemos um processo longo de entrevistas com diversos stakeholders para entender as necessidades que eles tinham em relação ao processo de indicação, nomeação e seleção de conselheiros”.
O evento foi aberto para o público e contou com a presença das palestrantes Agnes Blanco Querido, diretora-geral da Sodali&Co, e Maiara Madureira, sócia das áreas de companhias abertas, mercado de capitais e societário no Demarest Advogado, e mediação de Mauro Mori, sócio das áreas societária, de governança corporativa e de planejamento sucessório do escritório Machado Associados.
A apresentação dos palestrantes foi dividida em duas partes: a primeira tratou do processo de construção da publicação, e a segunda contou com um debate sobre o tema.
Eleição de conselheiros sem seleção
“Caso sejam acionistas de companhias abertas vocês sabem como funciona o processo de seleção, indicação e eleição de conselheiros de administração nas companhias em que investem?”, indagou Mauro Mori durante a sua fala de abertura. Em seguida, o mediador elencou alguns pontos negativos sobre a situação em que o conselheiro é eleito com base em indicação, ou seja, sem um processo de seleção propriamente dito:
• Afeta a credibilidade em relação aos conselheiros;
• Traz baixa rotatividade do conselho;
• Ocasiona em uma baixa diversidade na composição do conselho;
Já Agnes Blanco Querido, durante a sua fala, elucidou a importância da diversidade no time de stakeholders. “Os nossos clientes, fornecedores, têm a mesma diversidade que os acionistas. As companhias deveriam considerar isso na hora de pensar num conselho e na composição dos times executivos e dos seus colaboradores”, pontuou.
Nova regra da B3
Maiara Madureira aproveitou a oportunidade para abordar a nova regra da B3 que entra em vigor esse ano: as companhias que são listadas na bolsa deverão eleger como membro titular do conselho de administração ou da diretoria estatuária uma mulher e, em 2026, uma mulher e um membro de uma comunidade sub-representada. As companhias que não atenderem a isso vão ter que justificar no modelo “pratique ou explique”, mecanismo em que as empresas indicam se adotam a prática ou explicam os motivos de sua não implementação.
A especialista ainda refletiu sobre o fato de algumas companhias não adotarem essas práticas relacionadas à temática da diversidade, tendo em vista a evolução que passamos nos últimos anos enquanto sociedade. “Quantos anos você vai falar que não tem alguém porque você não encontrou uma mulher ou um membro de um grupo minorizado? Isso acaba não se sustentando – e também afastando investidores que se preocupam muito com essa temática”, argumentou.
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