“Governance Officer vai além de um cargo, é uma função”

A afirmação é de Célia Assis, coordenadora do curso, que tem três frentes e a maior carga horária entre os oferecidos pelo IBGC

  • 16/07/2024
  • Angelina Martins
  • Bate-papo

Na publicação Governance Officer o IBGC aponta que, “sob a liderança do executivo que exerce a função, cabe à área de governança corporativa implementar, gerir e aprimorar a 'arquitetura' do ecossistema de governança, provendo, por meio dos processos adotados, um alinhamento entre as diversas áreas da organização”.

Essa constatação vai ao encontro do que observa a coordenadora do curso, Célia Assis, também membro do colegiado de apoio ao conselho (CAC-Conduta) e da comissão Conselho do Futuro. Célia afirma que a posição de governance officer está sempre em transformação na jornada de governança“, sendo um profissional com amplitude de responsabilidades e que faz uma diferença visível atuando de forma muito discreta”. Acompanhe a entrevista com Célia Assis:

Blog IBGC: Qual o papel do Governance Officer (GO) no sistema de governança de uma empresa?
Célia Assis: O Governance Officer é, antes de tudo, uma função, e não apenas uma descrição de um cargo. O GO trabalha para aprimorar sistematicamente o sistema de governança, e, neste sentido, é o responsável por coordenar as práticas e iniciativas de governança na organização. Sua atuação efetiva contribui de maneira significativa para o bom funcionamento do conselho, dos comitês de assessoramento e do relacionamento entre os órgãos de governança. Hoje vemos o GO como uma posição em transformação na jornada de governança, um profissional com amplitude de responsabilidades e que faz uma diferença visível atuando de forma muito discreta.

Qual a rotina de trabalho de um GO?
O GO atua em três frentes: relacional, tática e estratégica.

- Na frente relacional, o GO é o elo de integração entre os diversos órgãos de governança. Tem um papel de facilitador da comunicação entre as várias instâncias de governança, em especial entre o conselho, seus comitês de assessoramento e a diretoria, e ainda com órgãos como a auditoria interna, auditoria independente, relações com investidores, área de ESG, jurídico e finanças. O GO precisa construir relações com todos os envolvidos em governança, trabalhando para que as informações sejam divulgadas de forma simétrica, oportuna e sempre respeitando os privilégios de acessos da organização.

- A frente tática ou operacional é a mais conhecida e a que ocupa a maior parte do dia a dia do GO. Envolve atividades como: a organização das reuniões; a construção de uma agenda temática anual; a gestão do fluxo de informações; a contribuição para a melhoria do material de apoio para as decisões; a elaboração das atas de reuniões; o acompanhamento das demandas e decisões da governança e sua execução pelos agentes de gestão. O GO apoia ainda o presidente do conselho e os coordenadores de comitês nas reuniões e outras necessidades.

- A frente estratégica engloba funções como a implantação de um programa de integração para novos conselheiros; a estruturação de um programa de educação continuada para todos os membros da governança; o apoio a processos de planejamento estratégico; a contribuição para a avaliação dos órgãos de governança corporativa; e outros tipos de levantamentos e estudos específicos relacionados às várias frentes da governança.

Existem características profissionais inerentes a um GO?
O perfil do GO é muito particular e difícil de ser encontrado. Trata-se de um profissional muito sênior, com experiência executiva e conhecimento abrangente de negócios. Precisa pautar-se sempre por uma atuação técnica, baseada em fatos e dados e com uma postura de serviço. Deve ser uma pessoa muito discreta, com inteligência emocional e que atue com serenidade, humildade, sem tomar partido em nenhuma situação. Além disso, o GO deve primar pela capacidade de organização, zelo, autonomia e capacidade analítica.

Em termos profissionais, não há restrição quanto a uma formação específica: os GOs podem ser administradores, advogados, engenheiros, contadores e até matemáticos, como eu.

Poderia descrever os diferenciais do curso, sua metodologia e o perfil docente?
O curso Governance Officer é o que tem a maior carga de conteúdos entre todos os oferecidos pelo IBGC, e isto faz totalmente sentido, uma vez que é o profissional que vai liderar a área de governança nas organizações e também atuar como guardião das melhores práticas. Trata-se de um corpo de conhecimentos muito robusto, tanto em aspectos técnicos quanto em habilidades e competências comportamentais.

Há dois diferenciais significativos. O primeiro é o balanceamento entre aspectos teóricos e a prática, com metodologias variadas incluindo estudos de casos e simulação de reuniões de conselho, além da interação com profissionais renomados e conselheiros de grande experiência. O segundo diferencial é o networking, já tradicional nos cursos do IBGC, e que no curso para GO se transforma numa rede que começa com o curso e que continua depois, viabilizando apoio e muitas trocas.

Quais os benefícios da plataforma Lifelong Learner, disponível para os egressos do curso?
Além de uma formação robusta e conhecimento profundo de negócios, o Governance Officer precisa estar continuamente atualizado, principalmente para entender e lidar com os desafios pelos quais as organizações e os envolvidos têm passado.

A governança vai continuar sob intenso escrutínio da sociedade e o GO não pode estar apartado das discussões dos conselhos e dos comitês – até mesmo porque precisa preparar documentos e atas que registram de maneira fidedigna e objetiva estas discussões. Além disso, há uma demanda muito grande no mercado por GOs bem preparados, e o lifelong learner – além de ser um estilo de vida - é um excelente ambiente para aprender, entrar em contato com pessoas de interesse e se atualizar de forma sistemática.


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