A inteligência artificial vem transformando a forma como as organizações trabalham, tomam decisões e criam valor. Nesse cenário, o desafio das lideranças é incorporar novas tecnologias sem perder de vista aquilo que permanece essencialmente humano: a escuta, a empatia, o julgamento e a capacidade de construir relações de confiança.
Neste bate-papo com o Blog IBGC, Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury e palestrante do 27º Congresso IBGC, fala sobre o papel da liderança diante das transformações tecnológicas e a importância de preservar a cultura e os valores das organizações. A executiva também aborda como inovação e sustentabilidade podem ser integradas à estratégia para gerar valor de longo prazo. Confira a seguir.
BLOG IBGC: A inteligência artificial já faz parte das operações de diferentes empresas. Ao mesmo tempo, você defende que a tecnologia deve liberar espaço para aquilo que é essencialmente humano, como a relação, a escuta e o julgamento profissional. Como os líderes devem encontrar esse equilíbrio entre incorporar tecnologia e preservar, ou até fortalecer, o fator humano nas organizações?
Jeane Tsutsui: Acredito que a inteligência artificial deve ampliar, e não substituir, a capacidade humana. Na saúde, ela tem um enorme potencial para melhorar a qualidade dos diagnósticos, apoiar decisões clínicas e aumentar a produtividade. Quando a tecnologia assume tarefas repetitivas e analíticas, os profissionais ganham mais tempo para exercer aquilo que é insubstituível: a escuta, a empatia, o cuidado e a avaliação diagnóstica de cada caso. O papel da liderança é garantir que a IA seja implementada com propósito, ética e governança, sempre colocando as pessoas e os clientes no centro das decisões. Quando usada da forma correta, a tecnologia fortalece o cuidado genuíno e acolhedor com cada cliente, um dos nossos maiores diferenciais presentes na cultura do Grupo Fleury que se consolidou ao longo de 100 anos de trajetória.
Em um contexto de transformações cada vez mais rápidas, marcado por inteligência artificial, mudanças nos modelos de negócio e novas demandas da sociedade, quais características uma liderança precisa desenvolver para conduzir uma organização pela transformação sem perder sua cultura, seus valores e a confiança das pessoas?
Vivemos um período de mudanças muito aceleradas, impulsionadas pela inteligência artificial, por novos modelos de negócio e por expectativas crescentes da sociedade. Nesse contexto, líderes precisam desenvolver adaptabilidade, autoconhecimento, aprendizado contínuo e coragem para inovar, inspirando suas equipes. Mas, ao mesmo tempo, é fundamental preservar aquilo que define a identidade da organização: seu propósito, seus valores e sua cultura. A transformação acontece, principalmente, por meio das pessoas, e não apenas da tecnologia. Por isso, confiança, comunicação transparente e capacidade de engajamento são essenciais. Quanto maior a velocidade das mudanças, mais importante é ter clareza sobre quem somos e aonde queremos chegar.
Como transformar sustentabilidade e inovação em elementos efetivos da estratégia e da geração de valor de longo prazo, em vez de tratá-las como agendas paralelas ao negócio?
Para que sustentabilidade e inovação gerem valor de longo prazo, elas precisam estar integradas à estratégia do negócio, e não funcionar como agendas paralelas. Na saúde, inovar significa encontrar formas mais eficientes e resolutivas de cuidar das pessoas. Sustentabilidade, por sua vez, envolve gerar impacto positivo para colaboradores, clientes, médicos, comunidade e acionistas. A inteligência artificial é um bom exemplo dessa convergência, porque pode melhorar a assistência ao cliente, aumentar a produtividade e otimizar o uso de recursos ao mesmo tempo. As organizações mais preparadas para o futuro serão aquelas que incorporarem inovação e sustentabilidade como parte natural de sua forma de criar valor.